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quarta-feira, abril 06, 2011

 Soneto de Camilo Pessanha


    Caminho
 
  Tenho sonhos cruéis;n'alma doente
  Sinto um vago receio prematuro,
  Vou a medo na aresta do futuro,
  Embebido em saudades do presente...
 
  Saudades desta que em vão procuro,
  Do peito afugentar bem rudemente,
  Devendo, ao desmaiar sobre a ponte,
  Cobrir-me o coração dum véu escuro...


  Porque a dor,esta falta d'harmonia,
  Toda a luz desgrenhada que alumia,
  As almas doidamente,o céu d'agora,


  Sem ele o coração é quase nada:
  Um sol onde expirasse a madrugada,
  Porque é só madrugada quando chora.
  
  Publicado por; Maria Briolanja Carmo

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