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terça-feira, novembro 16, 2010

Conto de Natal - Os excluidos

Caros companheiros
O blog da turma de informática está de novo activo, e espera os vossos contributos quer em novas mensagens quer em comentários das mensagens já publicadas.
Vamos a isso porque é bom participar

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FICÇÃO:

Eram muitos os irmãos, pelo menos seis por enquanto, e apenas uma rapariga. Os pais ganhavam a vida nas feiras, com uma carrinha muito velha, modificada, que fazia de barraquinha de comes e bebes. Eram conhecidos pelos “ratos”, embora ninguém soubesse bem porquê, mas olhando para aquelas caras fininhas, criadas sob um véu de pobreza, de cabelos espetados e nada cuidados, faziam lembrar de facto uma ninhada de ratos. Os mais velhos, em idade de irem à escola faltavam muito, e raramente obtinham aproveitamento. Por vezes faltavam um mês seguido as aulas. Quando regressavam, diziam que tinham andado a fazer as feiras nos carrinhos de choque. Os pais, aos mais velhos perdiam o rasto, ficando semanas fora de casa quando partiam com outros feirantes, a ajudar em alguma coisa a troco de quase nada.

Na escola eram mal amados, porque desestabilizavam toda a escola. Dali apenas se esperava disparates. Porém, nos últimos tempos o comportamento agravara-se por recorreram a agressões e outras acções de violência. As professoras eram o alvo mais apetecido, mas todos os funcionários eram molestados por aqueles três irmãos, que conseguiam juntar a sua roda mais de uma dúzia de outros rapazes dispostos a competir naquelas zaragatas. Uma das professora a Dona Glória, com filhos a frequentar a escola, tentava chamá-los à razão, com palavras que pudessem alterar aquele rumo. Numa tarde, véspera de Natal com a escola já em férias, um dos irmãos apareceu por ali com as mãos nos bolsos, e aquele andar gingão. Ao avistá-lo a professora Glória chamou-o.

- Então o que fazes por aqui Sandro?

- Gasto o tempo, respondeu ele encolhendo os ombros.

- Então diz-me lá! Sabes que hoje é a noite de consoada! Como passas tu a consoada?

- Está tudo programado. Daqui a pouco, juntamo-nos uns quantos e vamos por aí a roubar comida e bebida para logo à noite. Depois fazemos uma fogueira e comemos e bebemos tudo. A seguir vamos por aí pelas ruas a partir os vidros das casas abandonadas, que é para a bófia, não ficar com o cu sentado toda a noite á lareira.

Ao ouvir aquilo, lembrei-me de repente de o convidar a passar a consoada na minha casa.

- Este ano não posso, já estou comprometido e não posso faltar, mas vou para o ano.

- Fica então combinado?

- Está bem...está bem...

No ano seguinte, no dia da consoada a professora Glória recebeu um cartão de “Boas Festas” do Sandro, com estes dizeres –“ Este ano não posso cumprir a minha promessa porque estou preso, mas para o próximo ano, conte comigo”-.

À noite durante a ceia, a professora Glória contou esta história à mesa, e todos disseram;

- “para o ano o Sandro senta-se ao pé de mim” -


Válter Deusdado

7 comentários:

  1. É evidente que a violência e criminalidade é um problema social gravíssimo, que espelha a barbárie gerada pela sociedade em que vivemos .O crime não é o resultado de irresponsabilidade ou o acto de maldade de um indivíduo, mas sim o produto das condições e relações sociais do capitalismo. A desigualdade social, e a falta de oportunidades é a maior produtora de criminalidade. Nada acontece por acaso, é apenas uma reacção dos marginalizados pela sociedade. transformar a sociedade, atacar as causas, as bases económicas, sociais e políticas é uma prioridade.Isso leva muitas pessoas a enveredarem no caminho do crime,realizando furtos e assaltos,por necessidade. A solução está numa educação de qualidade e diminuição das desigualdades para todos.

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  2. A violência foi e será sempre um dos grandes problemas da nossa sociedade, em parte causada pela grande desigualdade económica e educativa que ainda hoje existe na nossa sociedade "desenvolvida" e com tendência a aumentar, veja-se os recentes acontecimentos em França.
    Penso que a todos nós cabe contribuir com um pouco de esforço e boa vontade, para tentarmos vençer essa luta.

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  3. Já o Pe. Américo dizia: "Não há rapazes maus..."

    A Ilda tem razão em vários pontos. Para mim, também acho que a Sociedade tem culpas no cartório. Vamos mudá-la! 'Bora lá! Começamos por onde? Afinal há classes? Se sim, em qual delas está a raiz do mal! Qual é a que tem maior umbigo?

    Resposta tentativa: Quanto maior é o umbigo, mais intocáveis são... e nós, os do meio, somos apertados dos dois lados.

    Afinal, somos todos boas pessoas... até o Sandro que afinal, tinha era um problemazinho de agenda!

    CarlNasc

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  4. Caros colegas ,pela primeira vêz entrei num blog.Écom muito gosto que me encontro entre vocês, mas como já disse ao Valter caí nesta turma de paraquedas.prometo fazer um esforço para não os deixar mal.

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  5. É unm prazer ver que os colegas já recomeçaram a escrever no blogue. E eu..que sou um "sorna" quase só leio e mando e mails em vez de me dedicar ao trabalho como devia. Soiju em resumo aquilo a que se chama " um mau aluno".
    Enfim.."burro velho já não aprende".
    Mas reencontramo-nos na aula..sempre fica algo nesta cabecinha
    Nuno

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  6. Comentando o texto "conto de natal" "os excluidos"
    Considero que o texto tem dois momentos que vale a pena refletir;
    O primeiro é quando a professore Glória dá atenção ao Sandro e lhe dedica uns momentos convidando-o para ir passar a noite da consoada com eles.
    O segundo momento, muito curioso é que o Sandro, não esqueçe aquele gesto nobre de solidariedade, e vai tentar pela sua parte corresponder.
    Parece que um pequeno gesto pode mudar uma pessoa, quem sabe a Humanidade.

    Válter

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  7. Os males da nossa sociedade, criminalidade, exclusão social e outros, são da responsabilidade de todos. Uns mais do que outros. Mas a grande catástrofe dos nossos dias foi ter-se perdido o sentido da família, do outro, nosso irmão. A família foi sempre a célula da sociedade. O sentido da sociedade hoje não é o "ser" mas sim o "ter".
    Cada um pensa em ter mais, nem que para isso tenha que passar por cima dos direitos do outro. Hoje, para a sociedade, é natural que os nossos "kotas" fiquem lá num canto, abandonados e já fazemos imenso se lhe arranjamos um lar que os albergue e, de tempos a tempos, se tivermos ytempo, iremos visitá-los! Para os nossos pais seria impensável pensar assim!... Para eles os filhos eram, e continuam a ser, o que melhor tiveram na vida. Por eles lutaram e sofreram muito e ainda continuam a sofrer. Nos lares, quando alguém lhes pergunta se os filhos os têm vindo visitar, respondem: "coitados, eles não têm tempo!..." No coração dos pais há sempre uma desculpa! Por sua vez os filhos se alguém lhes pergunta por eles dizem: "tenho uma vida é muito ocupada... não tenho tido tempo..."
    É isto a família de hoje!... Muitas vezes me pergunto o que serão os tempos futuros!...
    Seria bom não esquecer o provérbio popular: "Filho és pai serás, como fizeres assim acharás"!
    Cada um de nós tem algo a fazer. Queremos que sociedade mude? Esta mudará se cada um de nós fizer o que está ao seu alcance.
    Caminhamos para o Natal, festa de amor e de paz, sejamos melhores para com todos os que nos rodeiam e os que connosco se cruzam.
    BOAS FESTAS! Ramiro

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